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Cão da Serra da Estrela de pêlo comprido

Foto: Alexandre Vidigal

Caracteriza-se pela dilatação cardíaca com diminuição da espessura do miocárdio (o músculo cardíaco), que se torna muito fino e perde a sua contractilidade e a capacidade de bombear o sangue. Como consequência, o coração entra em descompensação e pode gerar dificuldades respiratórias e acumulação de líquidos nos pulmões e abdómen, conduzindo à morte. Sintomas como tosse, cansaço, taquicardia ou arritmia cardíaca podem ser indícios desta doença que, a partir do momento em que é diagnosticada, dá ao animal um tempo de vida médio bastante curto, normalmente entre seis meses e dois anos. Uma cardiomiopatia dilatada pode também determinar a morte súbita do cão por colapso cardíaco, mesmo antes de apresentar qualquer sintomatologia.

A cardiomiopatia dilatada pode ter origem em diversos factores, mas em muitos casos há uma forte componente genética. Por isso, quando se pondera a compra dum cachorro, é muito importante que os pais tenham efectuado exames de despiste da doença, com resultados satisfatórios. No entanto, ela pode manifestar-se apenas numa fase média a avançada da vida do cão, e se assim for não será detectada pelos exames de despiste enquanto o animal é jovem. A partir dos dois anos de idade, os cães deverão ser avaliados por um veterinário experiente em exames de diagnóstico de cardiomiopatia dilatada. Uma cardiomiopatia detectada precocemente permitirá que o animal siga uma medicação que aumentará o seu tempo e qualidade de vida. Além disso, ao fazer uma ecocardiografia de despiste ao seu cachorro, poderá contribuir para o conhecimento desta doença na raça e para que o criador do seu cachorro possa garantir cada vez mais a saúde dos exemplares por ele criados.

 

Em 2011, o Dr. Luís Lima Lobo, veterinário especialista em cardiologia e clínico no Hospital Veterinário do Porto, concluiu o doutoramento sobre a cardiomiopatia dilatada no Cão da Serra da Estrela, com o objectivo de conhecer melhor esta patologia na raça, a sua especificidade, heritabilidade e incidência. As conclusões deste estudo trouxeram informação importante que deverá permitir aos criadores planear acasalamentos mais seguros e consolidar os seus programas de criação minimizando as probabilidades de surgimento da doença. Na capital, o Prof. Dr. José Paulo Sales Luís, especialista em cardiologia  no Hospital da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, tem acompanhado nas últimas décadas a evolução da doença na raça. Ambos os veterinários são referenciais no conhecimento sobre a cardiomiopatia dilatada.

 

 

(texto retirado do livro Cuidar do Cão da Serra da Estrela / Rearing the Estrela Mountain Dog, de Manuela Paraíso)

Ecocardiografia de um Cão da Serra da Estrela com cardiomiopatia dilatada. Imagem gentilmente cedida pelo Prof. Luís Lima Lobo (Hospital Veterinário do Porto)

Exame de rastreio de cardiomiopatia dilatada pelo Prof. Sales Luís a Cão da Serra da Estrela

Foto: Ponta da Pinta